Divórcio Consensual: Vantagens, Requisitos e Como Funciona

Divórcio Consensual: Vantagens, Requisitos e Como Funciona

Descubra tudo sobre divórcio consensual: como funciona, quais documentos são necessários, quanto custa e por que essa modalidade reduz o tempo de separação em até 70%. Guia completo com passo a passo atualizado.

Sumário

 

Quando um casamento chega ao fim, enfrentar burocracias e processos longos pode tornar esse momento ainda mais difícil. Felizmente, o divórcio consensual surge como uma alternativa que transforma a separação em algo menos doloroso e mais ágil.

Neste artigo, você vai descobrir tudo o que precisa saber sobre essa modalidade de divórcio: desde os requisitos básicos até o passo a passo completo. Além disso, vamos explorar as vantagens reais, os custos envolvidos e esclarecer as dúvidas mais comuns sobre o processo.

Se você está considerando essa opção ou simplesmente quer entender como funciona, continue lendo. Preparamos um guia detalhado que vai facilitar sua jornada neste momento de transição.

1. O Que É Divórcio Consensual?

O divórcio consensual é a modalidade de separação em que ambos os cônjuges concordam em encerrar o casamento e chegam a um acordo sobre questões importantes como partilha de bens, pensão alimentícia e guarda dos filhos.

Diferentemente do divórcio litigioso, onde há conflitos e discordâncias que exigem decisão judicial, o consensual permite que o casal resolva tudo de forma amigável. Essa característica torna o processo significativamente mais rápido e menos desgastante.

1.1 Como Surgiu Essa Possibilidade?

Antes de 2007, existia a necessidade de um período de separação judicial antes do divórcio definitivo. Com a Emenda Constitucional nº 66/2010, essa exigência foi eliminada, simplificando todo o procedimento.

Posteriormente, em 2007, a Lei nº 11.441 trouxe uma revolução ainda maior: passou a permitir que casais sem filhos menores ou incapazes pudessem realizar o divórcio extrajudicial, diretamente em cartório, sem precisar de um processo judicial.

Portanto, hoje temos duas formas de realizar o divórcio consensual:

  • Extrajudicial (em cartório)
  • Judicial (no fórum, quando há filhos menores)

2. Principais Vantagens do Divórcio Consensual

Optar pelo divórcio consensual traz benefícios concretos que vão além da rapidez. Vamos explorar cada uma dessas vantagens:

2.1 Redução Drástica no Tempo de Processo

Enquanto um divórcio litigioso pode levar entre 1 e 3 anos para ser concluído, o consensual resolve tudo em semanas ou poucos meses. Em cartório, o processo pode ser finalizado em apenas 30 a 60 dias.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), processos consensuais representam aproximadamente 65% dos divórcios no Brasil e são resolvidos em tempo 70% menor comparado aos litigiosos.

2.2 Economia Financeira Significativa

Os custos do divórcio consensual são consideravelmente menores. Veja a diferença:

Tipo de DivórcioCusto MédioTempo Médio
Consensual ExtrajudicialR$ 2.000 a R$ 5.00030 a 60 dias
Consensual JudicialR$ 3.000 a R$ 8.0003 a 6 meses
LitigiosoR$ 10.000 a R$ 30.000+1 a 3 anos

Além disso, quando realizado em cartório, o casal economiza com taxas judiciais e reduz honorários advocatícios.

2.3 Menos Desgaste Emocional

O clima de cooperação presente no divórcio amigável preserva a saúde mental de todos os envolvidos, especialmente das crianças. Pesquisas apontam que filhos de pais que se separam de forma consensual apresentam melhor adaptação à nova realidade familiar.

Dessa forma, evitar embates judiciais contribui para manter uma relação civilizada entre os ex-cônjuges, facilitando questões futuras relacionadas aos filhos.

2.4 Maior Controle Sobre as Decisões

No processo consensual, o casal tem autonomia para definir como será a partilha de bens, os valores de pensão alimentícia e o regime de guarda compartilhada. Isso significa que vocês decidem o que funciona melhor para a família, sem imposições de um juiz.

3. Requisitos Essenciais Para o Divórcio Consensual

Para que o divórcio consensual seja possível, alguns requisitos básicos precisam ser atendidos:

3.1 Acordo Mútuo Entre os Cônjuges

O primeiro e mais importante requisito é que ambos concordem com o fim do casamento e com todos os termos da separação. Qualquer discordância inviabiliza essa modalidade.

3.2 Ausência de Filhos Menores ou Incapazes (Para Cartório)

Se o casal não tiver filhos menores de 18 anos ou filhos incapazes, pode optar pelo divórcio extrajudicial em cartório. Essa é a forma mais rápida e econômica.

Por outro lado, se existirem filhos menores, o divórcio consensual deve ser judicial, com aprovação do Ministério Público e do juiz para garantir a proteção dos interesses das crianças.

3.3 Assistência de Advogado

Mesmo no divórcio em cartório, a presença de um advogado é obrigatória. O profissional pode representar ambas as partes ou cada cônjuge pode ter seu próprio advogado.

Vale ressaltar que o advogado garante que todos os direitos sejam respeitados e que o acordo seja juridicamente válido.

3.4 Documentação Completa

Os documentos básicos necessários incluem:

  • RG e CPF de ambos os cônjuges
  • Certidão de casamento atualizada
  • Comprovante de residência
  • Certidão de nascimento dos filhos (se houver)
  • Documentos dos bens a serem partilhados
  • Procuração (se aplicável)

4. Divórcio Consensual Extrajudicial: Como Funciona?

O divórcio extrajudicial é realizado diretamente em um cartório de notas e dispensa a necessidade de processo judicial. Conheça o passo a passo:

4.1 Passo a Passo do Processo em Cartório

Etapa 1: Escolha do Cartório Qualquer cartório de notas pode realizar o procedimento, independentemente do local onde o casamento foi celebrado. Portanto, escolha um que seja conveniente para ambos.

Etapa 2: Reunião com Advogado Contratem um advogado (um para o casal ou um para cada) para elaborar a escritura pública de divórcio. Esse documento formalizará todos os acordos.

Etapa 3: Preparação dos Documentos Reúnam toda a documentação necessária e definam claramente como será a partilha de bens, se haverá pensão alimentícia entre os cônjuges e outras questões patrimoniais.

Etapa 4: Comparecimento ao Cartório Ambos os cônjuges devem comparecer pessoalmente ao cartório, munidos de documentos originais, para assinar a escritura pública na presença do tabelião.

Etapa 5: Registro e Averbação Após a assinatura, o cartório encaminha a escritura para averbação na certidão de casamento, oficializando o divórcio.

4.2 Quanto Tempo Leva?

Todo o processo pode ser concluído em 30 a 60 dias, dependendo da agilidade na reunião de documentos e da disponibilidade do cartório.

4.3 Custos do Divórcio em Cartório

Os valores variam conforme o estado e o cartório escolhido. Em média, os custos incluem:

  • Emolumentos do cartório: R$ 800 a R$ 2.000
  • Honorários advocatícios: R$ 1.500 a R$ 3.000
  • Certidões e documentos: R$ 100 a R$ 200

Algumas pessoas têm direito à gratuidade, especialmente quando comprovam baixa renda através da Defensoria Pública.

5. Divórcio Consensual Judicial: Quando É Necessário?

Quando o casal possui filhos menores de idade ou incapazes, o divórcio consensual precisa ser realizado pela via judicial, mesmo havendo acordo.

5.1 Por Que Exige Processo Judicial?

A lei determina que questões envolvendo menores sejam apreciadas por um juiz e pelo Ministério Público, que atuam como fiscais da lei para garantir que os interesses das crianças sejam preservados.

Assim, aspectos como guarda compartilhada, pensão alimentícia para os filhos e regime de convivência precisam ser homologados judicialmente.

5.2 Como Funciona o Processo Judicial?

Etapa 1: Petição Inicial O advogado elabora uma petição de divórcio consensual contendo todos os acordos firmados pelo casal, incluindo questões relacionadas aos filhos e aos bens.

Etapa 2: Protocolo no Fórum A petição é protocolada no fórum da comarca onde reside um dos cônjuges, dando início ao processo.

Etapa 3: Análise do Ministério Público O Ministério Público analisa o acordo para verificar se os direitos dos filhos estão sendo respeitados, principalmente quanto à pensão e à guarda.

Etapa 4: Audiência de Homologação O juiz marca uma audiência onde o casal comparece para confirmar os termos do acordo. Em muitos casos, essa audiência pode ser dispensada.

Etapa 5: Sentença de Divórcio Após aprovação, o juiz emite a sentença de divórcio, que deve ser averbada no registro civil para oficializar a separação.

5.3 Prazo e Custos

O divórcio judicial consensual leva entre 3 a 6 meses para ser concluído. Os custos variam de R$ 3.000 a R$ 8.000, incluindo honorários advocatícios e custas processuais.

6. Partilha de Bens no Divórcio Consensual

A partilha de bens é um dos pontos centrais do divórcio e deve ser acordada de forma justa entre os cônjuges.

6.1 Regimes de Bens Mais Comuns

O regime de bens adotado no casamento determina como será feita a divisão:

Comunhão Parcial de Bens É o regime padrão no Brasil. Nele, todos os bens adquiridos durante o casamento são divididos igualmente, enquanto bens anteriores ao casamento permanecem com seus proprietários originais.

Comunhão Universal de Bens Todos os bens, anteriores e posteriores ao casamento, são divididos igualmente entre os cônjuges.

Separação Total de Bens Cada cônjuge mantém seus próprios bens, sem necessidade de partilha.

Participação Final nos Aquestos Durante o casamento, os bens são separados, mas ao fim da união, há divisão dos bens adquiridos onerosamente durante a convivência.

6.2 Como Fazer a Partilha de Forma Equilibrada?

No divórcio consensual, o casal tem liberdade para decidir como dividir os bens, desde que respeite o regime matrimonial. Algumas dicas importantes:

  • Faça um inventário completo de todos os bens e dívidas
  • Considere o valor de mercado atualizado
  • Pense no bem-estar dos filhos ao definir quem fica com a residência
  • Registre tudo no acordo de divórcio para evitar problemas futuros

6.3 E as Dívidas?

As dívidas contraídas durante o casamento também são partilhadas, na mesma proporção dos bens. Contudo, no acordo, o casal pode definir quem ficará responsável por cada dívida específica.

7. Pensão Alimentícia e Guarda dos Filhos

Quando há filhos, duas questões fundamentais precisam ser definidas: pensão alimentícia e guarda.

7.1 Como Funciona a Pensão Alimentícia?

A pensão alimentícia é o valor pago por um dos genitores para contribuir com as despesas dos filhos. No Brasil, o valor médio gira em torno de 30% dos rendimentos líquidos do alimentante, mas pode variar conforme as necessidades da criança e as possibilidades financeiras do pagador.

Além disso, a pensão deve cobrir:

  • Alimentação
  • Educação
  • Saúde
  • Vestuário
  • Lazer

No divórcio consensual, os pais definem juntos o valor e a forma de pagamento, que será homologado judicialmente quando houver filhos menores.

7.2 Guarda Compartilhada vs. Guarda Unilateral

Desde 2014, a guarda compartilhada é a modalidade prioritária no Brasil, salvo situações excepcionais. Nela, ambos os pais compartilham a responsabilidade pelas decisões importantes na vida dos filhos.

Guarda Compartilhada

  • Ambos participam ativamente da criação
  • Decisões importantes são tomadas em conjunto
  • A criança pode ter residência principal com um dos pais, mas convive regularmente com ambos

Guarda Unilateral

  • Um dos pais tem a guarda principal
  • O outro tem direito à visitação e participa do sustento através da pensão
  • Usada quando há impossibilidade de diálogo ou outros impedimentos

No acordo de divórcio consensual, os pais estabelecem qual modalidade será adotada e como será o regime de convivência.

8. Diferenças Entre Divórcio Consensual e Litigioso

Entender as diferenças entre essas duas modalidades ajuda a tomar a melhor decisão:

AspectoDivórcio ConsensualDivórcio Litigioso
AcordoHá acordo em todos os pontosHá discordâncias
Tempo30 dias a 6 meses1 a 3 anos ou mais
CustoR$ 2.000 a R$ 8.000R$ 10.000 a R$ 30.000+
DesgasteMínimoAlto
ControleCasal decideJuiz decide

Portanto, sempre que possível, buscar o divórcio amigável é a melhor alternativa para todos os envolvidos.

9. Documentos Necessários Para o Divórcio Consensual

Organizar a documentação desde o início agiliza todo o processo. Veja a lista completa:

9.1 Documentos Pessoais

  • RG e CPF (originais e cópias)
  • Comprovante de residência atualizado
  • Certidão de casamento atualizada (emitida há menos de 90 dias)

9.2 Documentos Relacionados aos Filhos

  • Certidão de nascimento dos filhos
  • Comprovante de matrícula escolar
  • Documentos de saúde (plano de saúde, carteira de vacinação)

9.3 Documentos Patrimoniais

  • Escrituras de imóveis
  • Documentos de veículos (CRLV)
  • Extratos bancários
  • Comprovantes de investimentos
  • Contratos de financiamento ou dívidas

9.4 Outros Documentos

  • Declaração de Imposto de Renda
  • Contracheques ou comprovantes de renda
  • Procuração (se um dos cônjuges não puder comparecer pessoalmente)

10. Quanto Custa Um Divórcio Consensual?

Os custos variam conforme a modalidade escolhida e o estado onde será realizado:

10.1 Custos do Divórcio Extrajudicial

  • Emolumentos cartorários: R$ 800 a R$ 2.500 (varia por estado)
  • Honorários advocatícios: R$ 1.500 a R$ 3.000
  • Certidões e documentos: R$ 100 a R$ 300
  • Total médio: R$ 2.500 a R$ 5.500

10.2 Custos do Divórcio Judicial

  • Custas processuais: R$ 500 a R$ 1.500
  • Honorários advocatícios: R$ 2.500 a R$ 6.000
  • Certidões e documentos: R$ 100 a R$ 300
  • Total médio: R$ 3.500 a R$ 8.000

10.3 Gratuidade de Justiça

Pessoas com renda familiar de até 3 salários mínimos ou que comprovem insuficiência de recursos podem solicitar a gratuidade de justiça, ficando isentas das custas processuais e emolumentos.

A Defensoria Pública oferece assistência jurídica gratuita para quem se enquadra nesses critérios.

11. Perguntas Frequentes Sobre Divórcio Consensual

11.1 É Possível Fazer Divórcio Consensual Online?

Sim! Alguns estados já permitem que o divórcio extrajudicial seja iniciado de forma online, com assinatura digital. Entretanto, em algum momento pode ser necessário o comparecimento presencial ao cartório para validação.

11.2 Preciso de Advogado Mesmo no Cartório?

Sim, a presença de advogado é obrigatória mesmo no divórcio extrajudicial. Ele pode representar ambos os cônjuges ou cada um pode ter seu próprio advogado.

11.3 Posso Mudar o Sobrenome no Divórcio?

Sim, no momento do divórcio você pode optar por voltar a usar o nome de solteira ou manter o nome de casada. Essa escolha deve constar na escritura de divórcio ou na petição judicial.

11.4 O Divórcio Afeta a Pensão Dos Filhos?

Não. A obrigação de pagar pensão alimentícia para os filhos continua independentemente do divórcio, pois é um direito da criança e não está vinculado ao estado civil dos pais.

11.5 Posso Alterar o Acordo Depois?

Sim, acordos relacionados à guarda, pensão e visitação podem ser revisados judicialmente quando houver mudança nas circunstâncias que os justificaram.

12. Dicas Para Um Divórcio Consensual Tranquilo

12.1 Mantenha o Diálogo Aberto

Mesmo diante das dificuldades emocionais, manter a comunicação respeitosa com o ex-cônjuge facilita imensamente o processo. Lembre-se: vocês precisam chegar a acordos que funcionem para ambos.

12.2 Pense Primeiro Nos Filhos

Se há crianças envolvidas, coloque as necessidades delas em primeiro lugar. Um divórcio amigável reduz significativamente os impactos negativos na vida dos filhos.

12.3 Busque Orientação Profissional

Consulte um advogado especializado em direito de família desde o início. Além disso, considere apoio psicológico para lidar com as questões emocionais dessa fase.

12.4 Organize Toda a Documentação

Quanto mais organizado estiver com os documentos, mais rápido será o processo. Crie uma pasta com todas as certidões, comprovantes e contratos necessários.

12.5 Seja Realista com as Expectativas Financeiras

Entenda que ambos terão que fazer concessões. A partilha de bens deve ser justa, considerando as contribuições de cada um durante o casamento.

13. Conclusão

O divórcio consensual representa uma forma madura e respeitosa de encerrar um ciclo. Ao optar por essa modalidade, você economiza tempo, dinheiro e preserva sua saúde emocional.

Seja através do divórcio extrajudicial em cartório ou do processo judicial quando há filhos menores, o importante é que ambos cheguem a um acordo que respeite os direitos de todos os envolvidos.

Lembre-se: ter assistência de um bom advogado e manter o foco no bem-estar da família, especialmente das crianças, são os pilares para uma separação tranquila e digna.

Se você está considerando essa opção, reúna seus documentos, busque orientação profissional e dê esse passo importante com segurança e clareza.

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Marco Antonio Meletti de Oliveira
Advogado militante há mais de trinta e dois anos, nas mais diversas áreas do Direito, atendendo a todo o Brasil, em especial a Região de Mogi das Cruzes-SP e do Alto Tietê. É formado pela Universidade Braz Cubas ("UBC"), de Mogi das Cruzes-SP, possuindo pós-graduação em várias especialidades, na Universidade de Mogi das Cruzes ("UMC") e Escola Superior de Advocacia da OAB-SP ("ESA"). Foi gerente jurídico e advogado de diversas empresas, inclusive multinacionais, em Mogi das Cruzes-SP e São Paulo-SP. É sócio da Associação dos Advogados de São Paulo "AASP"); e regularmente inscrito na OAB-SP, sob n. 114.741. É sócio proprietário de MELETTI ADVOGADOS, em Mogi das Cruzes-SP
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